Morte do adolescente Lucas Terra completa 18 anos; apenas um dos três suspeitos foi condenado

Jovem foi assassinado na capital baiana em março de 2001. Dois ex-bispos aguardam decisão da Justiça para saber se vão ou não a júri popular.

A morte do jovem Lucas Vargas Terra, que foi assassinado na capital baiana em março de 2001, completou 18 anos nesta quinta-feira (21). Até agora, somente um dos três suspeitos de envolvimento no crime, o pastor Sílvio Galiza, foi condenado.

Galiza acusado por homicídio qualificado com motivo torpe e ocultação de cadáver e, atualmente está em liberdade condicional. Já os ex-bispos Fernando Aparecido da Silva e Joel Miranda, denunciados a partir do depoimento de Galiza, em 2008, ainda aguardam julgamento.

O caso segue com a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal, que vai decidir se Silva e Miranda vão ou não a júri popular.

Em fevereiro de 2019, o pai de Lucas Terra, José Carlos Terra, de 65 anos, morreu no Hospital Ernesto Simões, em Salvador. Ele teve uma parada respiratória decorrente de uma cirrose hepática, diagnosticada em 2018. José Carlos deixou uma esposa, dois filhos e quatro netos.


José Carlos Terra durante protesto pela morte do filho em Salvador; homem morreu em fevereiro de 2019. — Foto: Reprodução/ TVBA

Crime

O crime contra o adolescente Lucas Vargas Terra aconteceu em março de 2001, dentro de um templo da Igreja Universal do Reino de Deus, no bairro do Rio Vermelho, na capital baiana. Na época, a vítima tinha 14 anos e foi estuprada antes do assassinato. Lucas foi queimado vivo.

Na época, o pai da vítima apontou como motivo para o crime o fato do seu filho ter flagrado os pastores Joel e Fernando fazendo sexo, com base no testemunho de Galiza, dado depois da condenação.

O corpo de Lucas foi encontrado carbonizado em um terreno baldio na Avenida Vasco da Gama.

Em novembro de 2013, a juíza Gelzi Almeida inocentou os religiosos. A família de Lucas recorreu e, em setembro de 2015, o recurso de apelação foi julgado pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).

Os desembargadores decidiram, por unanimidade, que os religiosos fossem à júri popular. Foi então a vez da defesa dos ex-bispos recorrerem. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou a decisão do TJ-BA.

Silvio Roberto Galiza foi condenado inicialmente a 18 anos de prisão, mas a pena depois foi reduzida para 15 anos. Fernando e Joel aguardam julgamento popular em liberdade.

Em abril de 2017, o STJ negou recurso especial para os acusados, que pediram a suspensão do júri popular.