Soldado preso após ataque a ônibus no subúrbio de Salvador recebe alta e é levado para presídio

Policial foi levado em ambulância, mas não aceitou prestar depoimento, na tarde desta terça-feira (15).

Policial militar foi levado para o presídio em ambulância — Foto: João Souza/G1

Policial militar foi levado para o presídio em ambulância — Foto: João Souza/G1

O soldado Anselmo Souza dos Prazeres, preso após um ataque a dois ônibus, na Avenida Suburbana, em Salvador, recebeu alta médica na tarde desta terça-feira (15) e foi levado dentro de uma ambulância para a Corregedoria da Polícia Militar, no bairro da Pituba.

Segundo informações do advogado do PM, Dinoemerson Nascimento, o policial militar foi encaminhado para Corregedoria da PM para prestar depoimento, mas ele não tem condições de saúde para falar porque se recupera de uma cirurgia na perna e de um tiro nas nádegas.

O policial chegou na Corregedoria da PM por volta das 15h30. Ele foi levado para o Departamento de Polícia Técnica (DPT) por volta das 18h e, em seguida, será encaminhado para o presídio da Mata Escura.

Conforme a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o soldado Anderson Prazeres foi preso na última quarta-feira (10), após se envolver em um ataque contra dois ônibus, no bairro de Itacaranha, subúrbio ferroviário de Salvador.

Soldado foi levado para a Corregedoria da PM, Mas não aceitou prestar depoimento — Foto: João Souza/G1

Soldado foi levado para a Corregedoria da PM, Mas não aceitou prestar depoimento — Foto: João Souza/G1


Ainda de acordo com o órgão, o PM e mais três foram flagrados por uma viatura que passava no local. Após um confronto, Anderson foi baleado e preso. Os outros três conseguiram fugir.

A versão da SSP é contestada pela defesa do soldado. Conforme o advogado Dinoemerson Nascimento, o policial não teve envolvimento com o ataque e tentava separar uma briga entre pessoas quando foi abordado pelos policiais e preso.

“Ele não tinha nada a ver com a situação do ataque aos ônibus. Pegaram ele e tentaram culpar por uma crime que ele não cometeu, mas isso a gente vai conseguir a liberdade dele e depois vamos entrar com um processo pela atitude de hoje [de ser levado para prestar depoimento em uma ambulância]”, explicou.

A PM divulgou uma nota sobre o caso:

Após ter sido preso em flagrante na quinta-feira (10), por ter atravessado um ônibus na Avenida Suburbana, juntamente com mais três indivíduos, e promover diversos disparos de arma de fogo na via contra o coletivo e os passageiros, o soldado PM Anselmo Souza dos Prazeres, lotado na 18ª CIPM/Periperi, recebeu alta nesta terça-feira (15) e foi encaminhado ao Centro de Custódia Provisória, onde permanecerá a disposição da Justiça Militar Estadual.

Em cumprimento aos procedimentos legais, antes de ser conduzido ao Centro, o PM foi encaminhado para a Corregedoria Geral da PMBA em uma ambulância da instituição, com o devido suporte médico, a fim de ser ouvido em sede de Inquérito Policial Militar (IPM) que investiga os crimes decorrentes da ação delituosa cometida no último dia 10.

É importante ressaltar que o policial militar estava acompanhado a todo o momento de dois advogados que o representavam, que tudo filmaram, e, para preservar a incolumidade física, o PM não foi retirado em momento algum da ambulância, reservando-se ao direito constitucional de permanecer calado, sendo posteriormente, encaminhado ao Departamento Médico Legal ( DPT ) onde realizou Exame Médico Legal para confirmar que a sua integridade física foi preservada enquanto esteve no órgão correcional.

O soldado PM Anselmo já responde a três Processos Administrativos Disciplinares (PAD) na Corregedoria da PMBA, acusado de homicídio, extorsão mediante sequestro e disparo de arma de fogo em via pública.

Ataques em Salvador

A Secretaria de Segurança Pública informou que os ataques criminosos que aconteceram na última semana em Salvador, após o anúncio de paralisação de um grupo de policiais militares, são investigados pela Polícia Civil.

Ainda segundo a SSP, há indícios de que as ações foram feitas por pessoas ligadas à Associação dos Policiais Militares e Seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra), que convocou a paralisação dos PMs. Ainda de acordo com a secretaria, os ataques foram coordenados para gerar sensação de insegurança na capital e no interior do estado.

Em nota, o deputado estadual Prisco, que coordena a Aspra e a paralisação de um grupo de PMs, rebateu a SSP e disse que o órgão “tenta criminalizar a mobilização de policiais e bombeiros militares da Bahia”.

O Ministério Público da Bahia divulgou, em uma coletiva realizada na sexta-feira (11), que investiga os ataques criminosos e disse que os atos podem ser enquadrados na Lei de Segurança Nacional.

Os crimes começaram ainda na noite do dia 8 de outubro, horas depois da divulgação da paralisação de um grupo de PMs. Houve ataques em Cosme de Farias, Liberdade, Cajazeiras VIII e X, Mussurunga, Caminho de Areia, Calçada e outros bairros da cidade.

Nos dias seguintes, também houve arrombamentos em estabelecimentos comerciais no bairro de Tancredo Neves e ônibus atravessados na Avenida Paralela, Avenida Suburbana e no Uruguai.

Ônibus é atingido por tiros, no bairro do Uruguai, em Salvador — Foto: João Brito/TV Bahia

Ônibus é atingido por tiros, no bairro do Uruguai, em Salvador — Foto: João Brito/TV Bahia

Agência bancária foi depedrada no Caminho de Areia, em Salvador  — Foto: Raphael Marques/TV Bahia

Agência bancária foi depedrada no Caminho de Areia, em Salvador — Foto: Raphael Marques/TV Bahia


Loja invadida no bairro da Liberdade, em Salvador  — Foto: Raphael Marques/TV Bahia

Loja invadida no bairro da Liberdade, em Salvador — Foto: Raphael Marques/TV Bahia